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Comércio
A dependência da economia face ao exterior constitui uma preocupação do Governo. Esta tendência, difícil de inverter irá manter-se nos próximos tempos devido aos problemas estruturais derivados em grande parte do défice da balança comercial, que é agravado por um aumento das importações no quadro dos investimentos públicos previstos, e pela fraca receita das exportações, dependentes de uma monocultura, a do caju. Consciente disso, o Governo preconiza medidas como:
Estimular o enquadramento dos ponteiros ou proprietários de plantações de caju através de técnicas agrícolas que permitam aumentar o rendimento por hectare.
Desenvolver o potencial da pesca industrial para a exportação;
Segundo o CNPE , o valor das exportações foi de 51,4 M€ em 2005 e as importações de 51,9 M€. No entanto, estes valores não correspondem aos obtidos pela Comissão Europeia, através do Eurostat, que apresentam exportações de 39 M€ e importações de 272 M€. Isto representaria uma balança comercial muito mais negativa. Dada a dificuldade em obter valores seguros, já que se trata de uma economia largamente informal, é muito provável que o valor real esta no meio. Quanto ao FMI, limita-se a constatar que as exportações cresceram 9,5% em 2005 e as importações cerca de 35%, confirmando-se assim uma tendência de agravamento da balança comercial.
Os principais produtos importados são derivados de petróleo (50% das exportações), automóveis, cerveja e trigo. As exportações limitam-se quase exclusivamente ao caju.
A Guiné-Bissau auto-suspendeu as exportações de pescado para a União Europeia por não dispor de laboratórios que lhe permitam efectuar um controlo rigoroso das medidas sanitárias e fitossanitárias. A EU tem contribuído para o melhor equipamento desses laboratórios e vai continuar a fazê-lo até que seja possível exportar para os mercados da União, um dos principais objectivos nesta área. No entanto, em 2005 o país recebeu 7,2 M€, como indemnização da pesca efectuada pela frota Europeia nas suas águas territoriais.
O país vê-se agora confrontado pelo grande desafio das negociações dos Acordos de Parceria Económica (APE) com a União Europeia. Estes acordos são negociados ao nível da região da África Ocidental, que compreende os 15 países da CEDEAO e a Mauritânia. Até agora o governo tem encarado a oportunidade destes novos acordos de uma forma muito positiva. Na verdade, o pais irá tentar compensar a potencial perda de receitas aduaneiras por um reforço importante de capacidades ao nível do sector privado, o que irá permitir uma redução do desemprego, acrescentar valor e aumentar as receitas fiscais do Estado, através dos impostos pagos pelas empresas.
O comércio de produtos transformados como o caju, frutas e pescado terá um papel fundamental e começam a aparecer as primeiras indústrias com projectos interessantes nessas áreas.
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