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Linguas
A língua oficial é o português (cerca de 10% dominam também o francês). As outras línguas faladas são o kriolo (crioulo) e as línguas nigéro-congolesas dos grupos oeste-atlânticos (Fula, Balanta, etc.) assim como o Mandinga. A língua dos Bijagós é, linguisticamente falando, muito diferente e mesmo mais difícil de aprender do que o crioulo e varia de uma ilha para outra.
A língua veicular, no entanto, é o crioulo, que é uma língua que se formou a partir do contacto do Português com as línguas vernaculares como o Balanta e o Mandinga, principalmente.
Estas línguas africanas são ainda mais vivas e o crioulo é empregado apenas entre pessoas de línguas e de etnias diferentes. Em rigor, deveria falar-se o pidgin, no entanto, há cada vez mais guineenses que falam unicamente o crioulo, e para estes a denominação de crioulo é justificada.
Este crioulo, à base de vocabulário português mas cuja gramática é tipicamente africana, fala-se na Guiné-Bissau mas igualmente na Baixa Casamança senegalesa. Está próximo do crioulo falado nas ilhas do Cabo Verde. No total várias centenas de milhares de pessoas (400.000 na Guiné-Bissau; 300.000 em Cabo Verde e cerca de dezenas de milhares em Casamança) falam ou compreendem este crioulo.
Quase unicamente falado, o crioulo escreve-se contudo, quando necessário, com o alfabeto latino de acordo com convenções propostas pelo Ministério Guineense da Educação Nacional, que são bastante simples: o e pronuncia-se [ 3.o ], o u é-se um [ ou ] francês, o c se pronuncia-se em italiano [ o tche ] e o n corresponde [ à ng ]. Não há praticamente nasalizações como, na circunstância, no português.
É a gramática, e mais precisamente o sistema verbal, que demonstra os laços africanos deste crioulo. Os verbos não se conjugam pelas flexões. O sistema verbal é peculiar: os verbos distinguem o perfeito do imperfeito e não tanto a cronologia. São partículas colocadas antes ou após do verbo que marcam os matizes. Assim, na caracteriza o imperfeito (acção que dura…); ta indica uma acção feita habitualmente (iterativa) e ka marca a negação. Estas três partículas são sempre colocadas antes do verbo. Em contrapartida, a partícula ba colocada após o grupo verbal marca perfeito e a precedência por exemplo:
I bay,"partiu" (sem partícula = pretérito perfeito);
i ka bay,"não partiu";
I bay ba,"tinha partido";
I na bay,"parte, vai partir".
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